sábado, 25 de outubro de 2008

Lenda Urbana - Um pouco de história

Saímos da Torre do Banespa. A menina loira se apresentou como Bruna. Talvez pelo excelente papo e por ser xará de duas amigas que gosto muito, logo estava conversando com ela como se a conhecesse há mais tempo.

"Antes de tudo, me conta porque que nós precisamos lutar? Porque aqueles que têm os guarda-chuvas quadriculados de azul escuro e amarelo-esverdeado lutam entre si?"

"Não é bem assim Théo. Por exemplo, nós dois não precisamos lutar, estamos do mesmo lado. Nós defendemos a mesma causa. Nós defendemos os mendigos."

Não sabia o que perguntar diante dessa resposta. Mas precisava continuar o assunto.

"Defendemos os mendigos do que? Porque contra o baiano eu lutei e contra você não preciso?"

"Defendemos os mendigos dos vilões. O baiano era um que defendia os vilões. Aliás, meus parabéns. Normalmente os novos portadores são treinados antes do primeiro combate, e você venceu o seu primeiro sem nenhum treinamento, e contra um adversário digno de nota. O baiano já havia retirado de nossas fileiras alguns valorosos portadores."

A história cada vez se complicava mais, e eu torcia para entender alguma coisa.

"Quem são os vilões Bruna?! Como você entrou nessa vida? Como eu me tornei um desses portadores?!"

"Bom, não posso lhe responder isso. Thamis disse que seria complicado falar com você sobre isso, e ele preferia lhe contar a história toda. Bom, chegamos ao nosso destino."

Não havia percebido, mas a conversa com Bruna me tirou toda a atenção do itinerário. Pegamos um metrô e um ônibus. E desembarcamos diante daquele lugar que eu vejo todos os dias de dentro do ônibus quando vou para a faculdade: o Castelinho da Rua Apa.

Local de lendas urbanas paulistanas, fantasmas e cenário de um crime. Uma família riquíssima, mãe e dois filhos, no dia 12 de maio de 1937, foram encontrados mortos a tiros na casa da família: o Castelinho. Nunca encontraram os culpados, e até hoje o Castelinho está abandonado. Ou não, pelo que eu podia ver agora.

Havia movimento dentro do Castelinho, vida. Pessoas circulando lá dentro, e cartazes de peças teatrais. Provavelmente algum grupo de vanguarda, ou góticos.

"Vamos, Thamis está lhe esperando."

Entramos no Castelinho. Nunca pensei que teria coragem de fazer isso, mas eu precisava de respostas. Sei lá, não acredito em fantasmas, mas é melhor não brincar com essas coisas. 

Subimos um lance de escadas quebradas, empoeiradas e chegamos a um quarto. No centro do quarto, logo reconheci a figura. Um mulato alto, magro, de cabelo black power amassado de um lado, limpo, vestido com roupas velhas, sentava-se como que meditando sobre um tapete persa imundo. Era ele, Thamis, exatamente igual à última vez que o havia visto.

"Entre portador, estava esperando mesmo por você. Espero que Bruna tenha lhe atiçado a curiosidade. Nas poucas vezes que nos encontramos, pude ver que isso não é tarefa difícil." - disse Thamis, com um sorriso no rosto.

"É Thamis, estou bem curioso. E acho que poderia começar me contando sobre mendigos e vilões..."

Thamis abre um sorriso.

"Logo se vê que não estou falando com qualquer um. Escolheu bem o assunto que norteará nossa conversa. Pois bem. Dizem que a profissão mais antiga do mundo é a prostituição, e eu lhe digo se isso for verdade, a segunda mais antiga é a mendicância, pois após o prazer sexual, acho que não há para o homem prazer melhor do que limpar a consciência fazendo o bem para alguém. Esse princípio norteia as religiões ocidentais desde a queda do Império Romando do Ocidente. Com a perda de poder, os romanos resolveram aderir ao cristianismo como forma de trazer paz ao império, evitando conflitos com os povos cristãos. A ascensão da Igreja Católica Apostólica Romana trouxe consigo o voto de pobreza para alcançar a paz espiritual, e trouxe também a piedade. Com isso, os outrora pobres e miseráveis, agora eram mendigos, objetos da misericórdia dos abastados."

"Interessante, mas ainda não entendo onde eu entro nessa história..."

"Calma portador, como um apaixonado por história, você tem que ter paciência... Bom, acontece que sempre houveram os bandidos no mundo, e eles aproveitaram essa nova mentalidade para se disfarçar de mendigos e assaltarem aqueles que davam esmolas. Isso seguiu sendo um incômodo para nós até a derradeira queda do império. Com o início do feudalismo, os bandidos migraram para locais que lhes dariam mais dinheiro ao invés de permanecer nos feudos, e foram embora para os burgos ou vilas. Por morarem fora dos feudos, receberam o nome de vilões, e são chamados assim até hoje. Porém, não mudaram nunca o seu disfarce de mendigos para assaltarem, o que nos prejudica! Nós mendigos precisamos das esmolas, e eles nos atrapalham."

"Entendo, mas quem são os portadores nessa história?"

"Os portadores começaram como defensores dos mendigos, matando os vilões. Eram pessoas de bem, que resolveram fazer justiça com as próprias mãos. No começo usavam floretes, armas leves que todos os cidadãos carregavam, era até um adorno. Mas aos poucos os vilões começaram a caçá-los. E também, com o passar do tempo ficou cada vez mais difícil para os portadores andarem armados. Assim, tudo parecia perdido nessa guerra secular."

"Mas vocês deram um jeito com os guarda-chuvas... Agora começo a entender..."

"Não, na verdade demos um jeito ainda quando eram floretes. Os vilões conseguiram matar alguns de nossos portadores, e então começou essa guerra. E pior, para chacinar cada vez mais portadores, eles conseguiram com uma magia de um bruxo medieval, que a cada portador dos floretes que um vilão matasse, ele absorveria parte da alma do portador, e com isso se tornaria mais poderoso. Não pudemos ficar atrás, e fizemos a mesma coisa. Daí vem o lema que você já ouviu dentro de sua cabeça: só pode haver um."

"E os guarda-chuvas entram onde nisso?" - perguntei eu, achando um tremendo plágio essa idéia de absorver almas... Onde mesmo que eu havia visto isso?

"Com a proibição das armas, tivemos que encontrar outra arma, e também, hoje em dia não daria para matar os vilões e sumir com suas almas. Por isso, começamos a vender guarda-chuvas com a mesma magia dos floretes, e assim, a cada luta que um portador vence, ele tira das ruas um vilão, e rouba parte do seu poder quando retira um retalho do guarda-chuva destruído."

"Então entrei nessa história por um mero acaso?"

"Não Neo, você é o escolhido das profecias... Aquele que trará o equilíbrio aos dois lados dessa guerra..."

"Théo, meu nome é Théo, e não Neo..." - respondi eu, sentindo cheiro de plágio maior ainda... Onde já havia visto essa história de equilíbrio, profecia... E principalmente o nome Neo?!

Nesse momento uma coisa me vem à cabeça: Thamis nunca falou português!

"Pergunta pertinente essa portador, e não precisa perguntar como eu escutei se você nem ao menos perguntou... Eu morri num combate contra o maior de todos os vilões, aquele que só você poderá vencer. Por isso posso falar qualquer língua para facilitar seu entendimento. Estou aqui em espírito para treiná-lo."

Diante da revelação sobre a profecia, do medo que surgiu por falar até agora com um espírito e do plágio cada vez mais óbvio de todos os lados dessa história, resolvi desmaiar.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Lenda Urbana - E agora?

Desde que venci o baiano, deixei o guarda-chuva encostado no mesmo lugar. Tive medo de andar carregando e ser reconhecido. Trabalhei e estudei por dois dias, mas não conseguia esquecer tudo o que me aconteceu na segunda-feira. Hoje, quinta feira, acordei e resolvi não ir para a faculdade e para o escritório. Eu precisava pesquisar e descobrir o que havia me tornado.

Wikipedia. Minha primeira fonte de pesquisas se mostrou de pouca ajuda. Odeio utilizá-la, tem artigos vazios, de pouca confiabilidade. Mas é útil para encontrar certos termos que ajudam em outras fontes de busca.

Google. Nada também.

Eu teria que apelar. Precisaria consultar conhecimentos obscuros. Livros esquecidos, empoeirados e amarelados.

Eu iria até a Biblioteca Municipal Mário de Andrade consultar a Enciclopédia Barsa.

Para chegar lá precisaria pegar um ônibus e metrô. Da estação Marechal Deodoro iria até a estação Anhangabaú, e de lá andando até a Biblioteca. Não sei porque, mas achei melhor levar o guarda-chuva dessa vez.

Com o remendo do guarda-chuva do baiano ele começa a me lembrar uma calça de caipira de festa junina. Mas é o meu guarda-chuva, e o tempo está nublado. Ponho uma capa plástica branca nele pra disfarçar, penduro uma alça na capa e passo ele por cima do ombro. Carteira no bolso, Bilhete Único no outro, chaves de casa no outro, celular no outro. To pronto.

Pego o ônibus por volta de 9 horas da manhã, incrivelmente ele está vazio. Normalmente a essa hora o movimento de idosos é grande.

Desço alguns metros a frente da estação Deodoro. Embaixo do Elevado Costa e Silva. Acho engraçado chamar o Minhocão de Elevado Costa e Silva, me lembra a Corrida de São Silvestre, que é o único momento do ano em que chamam o Minhocão pelo nome certo.

O Minhocão é um viaduto, e odeio passar embaixo de viadutos. São lugares degradados, sujos, e normalmente perigosos. Mas não tem jeito, preciso andar um pouco para chegar até o metrô.

Os mendigos que moram ali embaixo e normalmente me abordam (acho que tenho uma cara de bonzinho muito convincente, eles só não me pedem dinheiro quando tem alguma velhinha também), hoje me olham a distância. Olhares cheios de respeito me acompanham de longe. Acho estranho, mas prefiro assim. Não estou num dia bom para esmolas ou papos, apesar de acreditar que a solidão e desprezo pelo qual os moradores de rua passam lhes dê uma percepção do mundo muito melhor que a nossa. Alguns mendigos são sábios. 

Um dia encontrei um mendigo que falava inglês. Não sei quantos de vocês já me ouviram contar essa história, mas o conheci na Rua da Consolação, no ponto de ônibus bem em frente ao Mackenzie. Ele veio falando comigo em inglês, e logo achei que era algum golpe novo na praça, que ia ser assaltado, e me afastei.

Encontrei ele uma segunda vez no Metrô Sta. Cecília, e aí batemos um papo. Ele me disse que seu nome era Thamis. Me chamava de Sir, porque eu estava vestindo terno e carregava um guarda-chuva preto como se fosse uma bengala. Ele era de um país da América Central, e veio para o Brasil dar aulas de inglês. Mas não conseguiu, e vivia nas ruas, conseguindo poucas esmolas porque ninguém entendia seu inglês e espanhol... Só vi Thamis mais uma vez, e ele estava deitado na porta de um supermercado, enrolado num trapo velho. Eu estava dentro do ônibus, e quase desci para ajudá-lo, mas estava atrasado para a aula.

Entrei no metrô. Vagão cheio, também pudera, a Linha Vermelha é sempre lotada. Desci rápido, a Estação Anhangabaú. O percurso a pé também foi muito rápido, e em poucos minutos eu estava na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

Perdi duas horas na biblioteca. Ao que parece não existem livros sobre uma seita de portadores de guarda-chuvas quadriculados. Comecei a achar que estava ficando louco, mas o remendo no guarda-chuva provava minha sanidade mental.

Preciso espairecer. Resolvo ir até a Torre do Banespa, a vista me relaxa, e é uma boa caminhada até lá. Ipod bombando um Strokes no ouvido. "Hard to explain". Rock me faz pensar melhor.

São 13hs. A fome aperta e ainda não cheguei. Resolvo esticar até a Sé e ir almoçar no Asia House. Comida japonesa a quilo, preciso de comida leve, pesada me dá sono, e aí nada de pensar.

Duas e meia da tarde eu estou na porta do prédio do Banespa. A torre tem 161 metros de altura. É a melhor vista de São Paulo, não por ser o prédio mais alto, mas por ser ter uma localização mais alta geograficamente falando. O local de observação é um posto circular, como um farol de praia. Cabem umas 15 pessoas.

O grupo que vai subir comigo é de estudantes de colégio. Capetas. Demônios. Mal educados e barulhentos. Odeio adolescentes mal educados, talvez por que tenha sido um adolescente atípico. 

No fundo do grupo vejo uma menina loirinha se afastar. Tem 16 ou 17 anos, e lê avidamente um livro que só tive o prazer de conhecer há pouco tempo. "A Cidade Antiga", de Fustel de Coulanges. Admiro-a pelo bom gosto literário, e pela sua diferença dos colegas de turma.

Subimos os elevadores até lá, esperamos a descida do grupo anterior do topo, e pronto. Nossa vez.

Vou direto para o local de onde posso ver a Praça da Sé inteira. Não que eu queira ver a Catedral, apesar de achá-la linda. Queria ver a fachada recém restaurada do Palácio da Justiça. Mal de estudante de direito, provavelmente.

Fico observando por algum tempo, e a algazarra dos adolescentes me dando raiva, até que começa a chover. Dou graças a deus por aquelas pestes saírem de lá. Abro o guarda-chuva e fico ainda observando por uns 10 minutos o Palácio.

Quando resolvo ir embora, vejo a menina loira do outro lado da torre. Segurando um guarda-chuva igual ao meu. Mais uma vez eu sei que só pode haver um.

"Calma portador, não precisa fechar seu guarda-chuva ainda. Estou aqui para lhe dar as boas vindas e algumas respostas. Thamis me enviou".

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lenda Urbana - Só pode haver um...

Não sei quantos dos meus leitores sabem do caminho que eu faço do escritório pra casa, então vou explicar pra deixar mais clara essa história. Eu pego o primeiro ônibus numa rua chamada Chedid Jafet, desço na Av. Brigadeiro Faria Lima próximo ao Largo da Batata e lá pego o segundo ônibus pra vir até em casa.

Hoje, quando desci do primeiro, o tempo estava meio chuvoso e abri meu guarda-chuva. Quem me conhece sabe que odeio guarda-chuvas pequenos, porque não comportam eu e a minha mochila. Meu guarda-chuva é daquele que os camelôs vendem por 10 reais na porta do metrô. Quadriculado de azul escuro e amarelo esverdeado.

Fui caminhando do ponto do ônibus em direção à ruela estreita que existe ao lado do Supermercado Futurama. A ruela hoje estava movimentada, graças a Deus. Odeio passar por ali quando está deserto. E fui caminhando, por aquele atalho até a Rua Teodoro Sampaio, onde pego o segundo ônibus.

No ponto onde a ruela se abre numa rotatória para receber uma outra ruela que passa nos fundos do Futurama, eu o vi. Parecia que esperava por mim.

Eu desviava o olhar. Ele estava do outro lado da rotatória, no caminho onde eu precisava passar para chegar ao próximo ponto de ônibus. Não sabia porque me encarava. Quando levantei os olhos entendi. O guarda-chuva dele era igual ao meu...

Dois guarda-chuvas quadriculados de azul escuro e amarelo esverdeado.

Por um momento que pareceu durar uma eternidade eu olhei em seus olhos, e sabia que ele pensava o mesmo que eu: só pode haver um.

Fechei meu guarda-chuva e deixei as gotas da garoa escorrerem pelo meu rosto e sumirem em meu paletó. Ele fez o mesmo, mas tinha a vantagem de vestir uma jaqueta de couro marrom. Estava bem surrada, mas pelo menos a água não lhe pesava. Em sua cabeça, um chapéu velho, faltando um pedaço em forma de triângulo na lateral. 

Enrolei o guarda-chuva e prendi com o velcro para que não ficasse solto, e ele fez o mesmo. Percebi com todos meus nervos que o combate estava para começar. O cheiro de batalha permeava o ar. E os pedestres que por ali passavam percebiam isso, e evitavam cruzar nossos olhares. Alguns chegaram até mesmo a parar no boteco próximo, embaixo do toldo, pedir uma coxinha e um croquete e observar os dois portadores dos guarda-chuvas quadriculados...

Eu não sabia o que acontecia comigo. Parecia que estava dominado por alguma entidade que não era eu. Tinha plena consciência disso, mas tudo o que eu queria era resolver o problema. Dessa luta, apenas um guarda-chuva sairia.

"Estive lhe esperando por uma hora meu rei. Perdeste o ônibus, foi?"

Baiano. Não pensei isso como preconceito ou xenofobia, até porque baianos em São Paulo são muito mais comuns do que cariocas, então eu era mais forasteiro do que ele nesta terra de asfalto e vidro. Poucos sabem, mas São Paulo é a cidade do Brasil que tem mais baianos depois de Salvador.

O momento de reflexão terminou com uma constatação assustadora. Ele me conhecia! Sabia o caminho que eu faria naquele dia! Eu não poderia lhe dar uma chance de sobreviver, ou ele me perseguiria pelo resto da vida...

Mais por desespero do que por me encontrar preparado, parti para cima. Nesse momento, meu Ipod que até agora estava em silêncio, começou a tocar. David Bowie e Queen - Under Pressure. Engraçado, pensei comigo. Porque não tocou "Who wants to live forever"?!

Joguei o guarda-chuva pro alto, e com um dedo, encontrei o seu cabo curvo e o trouxe firmemente para a palma da mão enquanto corria. Meu paletó esvoaçava, molhado e pesado. As gotas da chuva aumentaram, dardejando meu rosto. Ia desferir meu primeiro golpe, e não tinha a menor idéia do que isso significava...

Desci o guarda-chuva com força em direção à cabeça do baiano, mas ele era experiente nisso e aparou meu golpe. Nesse momento vi que diferente do meu, o seu guarda-chuva tinha cabo reto, em forma de empunhadura, com lugar para encaixar os dedos. Seu guarda-chuva era muito mais letal que o meu.

Sem dificuldade, após aparar o meu golpe, ele girou o corpo, e com um rápido movimento de capoeira, abaixou-se, me acertando na parte de trás do joelho.

Quase caí de joelhos, mas a outra perna foi forte o suficiente para aguentar o peso do corpo. Ele tentou um segundo golpe, mas já esperando por isso, pulei por cima do guarda chuva e rolei pelo asfalto molhado, me pondo de pé em um instante. Ao que parece os anos de RPG me ajudaram a antever os golpes do oponente. Afinal, após anos de estudos de estratégias de combate de espadas, um combate de guarda-chuvas não seria grande coisa.

Agora ele veio pra cima. Tentou o mesmo golpe que eu, de cima para baixo na direção da cabeça. Mas eu fui mais ágil. Girei o guarda-chuva e o deixei escorregar na mão, segurando-o pela ponta, enquanto deixava o cabo livre na outra extremidade. 

Com um rápido movimento, esquivei do golpe, prendi seu guarda-chuva com o cabo do meu e torci com toda a força. O guarda-chuva do baiano voou, e eu o peguei com a mão esquerda.

O rosto dele ficou amedrontado, e sua tez morena ficou pálida por um instante. Eu fui vitorioso. Levantei o seu guarda-chuva, e para o susto de todos os espectadores do bar, que agora eram muitos, um raio caiu na ponta metálica do mesmo.

Pelo terror nos olhos do baiano, percebi que aquilo era um sinal. Seu guarda-chuva o havia abandonado, e com isso sua vida não valia mais nada.

"É meu rei, a natureza é sábia. Se ela lhe escolheu, quem sou eu para discordar, não é mesmo? Só lhe imploro uma coisa meu rei, você, que é primo de Caetano e de Bethânia. Me deixe vivo! Prometo nunca mais lhe importunar! Tenho sete bacuri pra criar..."

Baixei minha cabeça. Nunca havia pensado em matar um homem, e esse talvez fosse o momento ideal. O baiano sabia onde eu pegava o ônibus, e poderia me atocaiar.

"Deixo sim baiano, mas o seu guarda-chuva é meu."

Abri meu guarda-chuva, e vi que havia um buraco. Recortei um pedaço do guarda-chuva do baiano e guardei comigo para remendar o meu.

Apoiei a ponta do guarda-chuva dele no asfalto, a água empoçada chiou com a temperatura do metal. Com todo o peso da minha perna, desferi um chute no meio do guarda-chuva, que se partiu com um estrondo inesperado. Um brilho intenso cegou a todos, e só pude escutar o grito de desespero do baiano.

Quando consegui abrir os olhos, eles estavam grudentos. Eu estava enrolado num edredon, vestindo pijama. Me sentei na beira da cama, me recusando a acreditar que tudo aquilo pudesse ter sido um sonho. Levantei e senti uma dor leve atrás do joelho, que me fez pisar em falso e tropeçar no pé da cama. Andei até o banheiro e lá encontrei aquilo que me fez ter certeza que não havia sido um sonho.

Meu guarda-chuva estava encostado na porta do banheiro. Com um buraco remendado.

Eu era o escolhido.

domingo, 5 de outubro de 2008

Amicus Pappus

Bom, tava na hora de mudar o nome do blog. "Só pra passar o tempo" era o nome provisório, além de ser um dos nomes mais comuns de blogs no mundo...

O tempo passou, e hoje isso me incomodou. Qual seria o nome ideal do blog? Montei esse blog pra ser um lugar onde eu escrevesse sobre tudo o que desse na telha. Futebol, política, economia, piada, análises sociais, e tudo com o bom humor que me é peculiar. Não só escrever o que me agrada, mas ter sempre o retorno dos amigos, que sempre são parte essencial da minha vida, estando perto ou longe. Um blog que fizesse o papel de uma conversa de bar à distância.

"Amicus Pappus". Do latim, Papo de Amigo. Quem não acreditar, pode caçar um dicionário de latim e quebrar a cara.

Pra aproveitar o momento de renovação do blog (template novo há uma semana, e agora nome novo) queria agradecer àqueles que inspiraram o novo nome e sempre participam aqui do blog: Luciano (vulgo Willow), Leonardo (Ligadim) e a ultimamente quase onipresente, Anne (apelido secreto...), que além de fazer parte dos amicus, ainda ajudou no debate mental que eu travei pra decidir o nome!

Vocês tem cadeira cativa nesse estádio que é o meu coração. Bjão pra Anne, abraços pra esses dois que às vezes eu fico na dúvida se existem ou se são produto da minha imaginação.

sábado, 4 de outubro de 2008

Nome na Taça

"Ai ai, enfrentar o Timbu nos Aflitos é foda, o Palmeiras se deu bem empatando de 0 a 0..."

Alguém aí conhece um palmeirense? Se sim, esse foi o discurso deles semana passada. Desculpa gente, mas time que tem raça, que tem tradição, que tem um manto sagrado de verdade (e não essa camisa verde-catarro-que-brilha-no-escuro) ganha em qualquer lugar. E ganha de 2 a 0, com autoridade de futuro campeão brasileiro, com direito a golaço de fora da área!

Desculpa porco, ganhar de virada em casa contra o Atlético Mineiro não é um feito extraordinário, é obrigação. Mas pra chegar no nosso nível (sim, caímos bem na tabela pq venderam todo o ataque do time em duas semanas) vocês tem que comer muito feijão com arroz.

ps.: feijão com rabo de porco!

domingo, 28 de setembro de 2008

Festas de Família

Quando eu tinha um blog onde escrevia junto com o Wilian e o Willow (Luciano, pra quem não conhece), acho que escrevi meu melhor texto crítico-filosófico de humor. Pra quem lembrar (acho que ninguém vai lembrar, isso foi há 5 anos) desse blog, foi o texto que escrevi sobre o Natal.

O Natal nunca foi uma festa que eu gostasse muito, porque depois que a gente conhece História, vê que é uma festa mentirosa, já que Jesus não nasceu nessa data, e que na verdade um papa (não me lembro qual) adotou como nascimento de Cristo para conseguir atrair para a Igreja Católica os povos pagãos, que adoravam o Sol no dia 25 de dezembro.

Mas enfim, apesar de não concordar, sempre gostei dos filmes de Natal, e encaixo nessa categora duas das melhores comédias da minha infância: "Esqueceram de Mim 1 e 2".

Bom, depois que vim morar em São Paulo comecei a gostar do Natal. Não que tenha concordado e acreditado na data, mas é que ela se tornou a única oportunidade que tenho de ver a família do meu pai reunida. E eita família de maluco! Saio da festa cansado de dar risada!

Esse ano porém, terei outra oportunidade de ver a família Bernardes reunida. Aniversário de 60 anos da tia mais comédia da família! Dá pra imaginar o que vem por aí né?

Festas de família são sempre engraçadas. Hoje eu vejo isso. Quando era moleque não. Era meio introspectivo, quietão. É que era muito observador e pouco falante. Hoje sou muito observador e falante idem...

Festas de família são aquela oportunidade de ver os primos que há muito tempo não se vê, de conversar com aqueles tios mais velhos que sempre tem alguma coisa pra ensinar, de rir com aquele tio engraçado que sempre tem uma piada nova... Pra mim são oportunidades de conversar até com meu irmão, saber como está a vida, já que 500km de distância e horários conflitantes nos atrapalham pra botar a conversa em dia.

Enfim, dia 18/10 é dia de churrasco com os amigos (pra conversar até cair um pedaço da língua, como diz a "mamy" de uma amiga que admiro muito (admiro tanto a amiga quanto a "mamy")) à tarde e festa de família à noite. Já to ansioso!

sábado, 27 de setembro de 2008

O declínio de um Império

"O Rei está morto. Viva o Rei".

A expressão que eu escrevi acima mostra a mentalidade dos governos monárquicos, onde mal se tem tempo em lamentar a morte de um líder, e já se tem a ascensão do novo ao poder, do príncipe por assim dizer. Rei morto, rei posto, certo?

Estamos vivendo uma fase dessas, mas não falamos de um Rei, e sim de um Império. O Império dos Estados Unidos está decadente.

Eu tenho uma teoria (daquelas de botequim mesmo, nada cientificamente comprovado, mas quem sabe um dia...) sobre a ascensão e queda dos Impérios que dominaram o mundo: quanto maior a tecnologia e criatividade (principalmente na área de comunicações, pois elas fazem o mundo "encolher") menor a duração de um Império. Exemplos?

Império Romano (incluindo nesse termo o do Ocidente e o do Oriente): de 753 a.C. até 1453 d. C. - o surgimento é do Ocidente e a queda é do Oriente. Temos 21 séculos de duração de um único Império.

Império Britânico: durante a queda do Império Romano do Oriente, a Europa Continental estava entregue ao feudalismo, motivo pelo qual a Grã-Bretanha, que nesta época já tinha até sua Carta Magna (desde 1215) se destacou. Poucos países se lançavam em aventuras extra-marinas, como Portugal, Espanha e Holanda. Os holandeses eram mais empreendedores, portugueses e espanhóis se dedicavam ao extrativismo e plantation, mas não desenvolviam novas tecnologias. Nesse quadro, a Inglaterra se lança ao mar, criando uma das maiores marinhas do mundo e desenvolvendo cada vez mais tecnologias. Teve problemas com a Invencível Armada de Espanha, chegou a perder por alguns anos sua hegemonia em virtude de Napoleão, mas comandou o mundo de 1485 (início do reinado de Henrique VII) até o início da Segunda Guerra Mundial (1939). Temos então quase 5 séculos de Império Britânico, o que não é nada comparado aos 21 séculos romanos.

Império Norte-Americano: com a Primeira Guerra Mundial, as principais potências européias ficaram muito enfraquecidas, e conseguiram escapar da completa destruição graças à ajuda dos Estados Unidos. Os EUA saíram vitoriosos dessa guerra pois ela não aconteceu em seu território, demandando destes apenas o poderio militar e econômico. Com a Segunda Guerra Mundial, seu papel foi muito mais importante, porque o período entre guerras via a reconstrução da Europa destruída, e o crescimento acelerado da Alemanha nazista e dos EUA. Ao estourar a Segunda Guerra, ficou claro que os EUA seriam os "salvadores" do mundo (e essa foi a única vez em que eles foram heróis, porque foi também a última em que se sabia quem era o vilão). Desde então eles vêm dominando o mundo. De 1939 até hoje não temos nem um século, e o império americano já demonstra claros sinais de cansaço.

A Crise que assola os EUA hoje nos mostram claramente o que a tecnologia faz com um Império e seus dominados. Bolsas de Valores seriam impensáveis no Império Romano, não existia maneira de 500 pessoas serem "donas" de um mesmo estabelecimento comercial através da compra e venda de pedaços de papel que atestavam isso. Menos ainda seria possível que uma pessoa "vendesse" sua casa por um valor acima do que ela valia e recomprá-la parceladamente de uma instituição financeira. Pra começo de conversa, seria impossível um romano vender sua casa, pois era nela que residiam seus deuses domésticos, seus protetores. Quem discordar disso e achar que Roma era apenas Júpiter, Marte e companhia, pode ler "A Cidade Antiga" de Fustel de Coulanges.

Os romanos eram detentores de grandes tecnologias, principalmente na área da engenharia, tanto que ainda existem pela Europa estradas e aquedutos em utilização até hoje que foram construídas por eles. Porém, não lhes interessava ensinar essa tecnologia para os povos dominados.

O império britânico foi o palco da Primeira Revolução Industrial, que trouxe a tecnologia do vapor, e também não lhes interessava apresentar isso para o mundo.

O império norte americano tem seu Vale do Silício, maior centro de produção de microchips do mundo, e dispensa comentários na criação de tecnologias.

Porém, o que vemos? Os romanos viviam da guerra, da expansão territorial, e não conseguiam se comunicar com velocidade com os extremos de seu império. Inspiravam medo, e depois respeito, pois não forçavam os povos conquistados a adotar sua cultura, de maneira que aos conquistados parecia cômodo ter segurança por pagar impostos ao império. Vejam bem, os povos conquistados estavam acomodados.

Os britânicos também se utilizavam da guerra, porém instituiam sua forma de governo e sobrepunham sua cultura à do conquistado. Isso gerava revoltas e novas guerras. Porém seus navios eram rápidos e suas tropas chegavam rapidamente a qualquer parte do seu território.

Os americanos aprenderam a dominar com os ingleses, e também impõem sua cultura aos povos dominados. E as telecomunicações fazem com que a resposta às revoltas e rebeliões sejam quase instântaneas.

O que vemos de diferente entre os três? A tecnologia que cada um tinha. Não que a causa da queda de cada um tenha sido a tecnologia que tinha, mas sim a que os dominados também tinham. O ser humano é criativo por natureza, quando um cria e o outro fica sabendo, se o primeiro não ensinar como se faz, o outro vai estudar até criar igual... Aí já viu né?

Pra mim essa crise financeira dos EUA é o auge da criatividade em termos de mercado financeiro. Você vende a sua casa pra uma instituição, ela te paga uma grana à vista, e você devolve parcelado com uma pequena taxa de juros. Depois você, instituição, vende essas dívidas para uma outra instituição como se fosse um ativo recebível, e ela compra, ainda mais caro e joga esses papéis nas bolsas de valores a peso de ouro! 

Alguém além de mim viu que na verdade não existe dinheiro aí? Tudo o que se vendeu foram promessas de pagamento? Na hora de pagar, a pessoa investiu aquele dinheiro que a financeira deu pra ela em troca da casa aonde? Na bolsa de valores! Comprando que papéis? Os da outra instituição financeira que vendeu a dívida da primeira como um ativo recebível! Ou seja, você comprou sua própria dívida, mas por um preço maior do que você deve!

Na hora de cobrar, a segunda financeira vai em cima da primeira, que não tem dinheiro e cobra de você, que não tem dinheiro porque comprou papéis vazios, e, por não pagar, perde sua casa! A financeira põe sua casa a leilão, mas tá todo mundo quebrado pelo mesmo motivo, sua casa é vendida baratíssima, a financeira tem prejuízo e quebra! Quebra a primeira financeira, quebra a segunda, quebra a bolsa de valores...

Enfim, o poderio econômico dos EUA reflete no mundo inteiro, e com essa crise, o crescimento deles vai ser muito menor pelos próximos anos. Alguns especialistas dizem que mesmo com o pacote de ajuda às financeiras que o governo americano disse que vai dar, a recuperação americana vai demorar pelo menos uma década. 

Pra um Império que tem só 70 anos de história, perder uma década é muita coisa. Quem for pouco afetado por essa crise e souber crescer sem o dinheiro norte-americano, pode subir ao topo como novo líder mundial. Alguém aí falou na China?

domingo, 21 de setembro de 2008

O Retorno do Blogueiro

Quem leu meu blog pela primeira vez começando pelo último post pode ter a impressão de que tirei férias eternas... Mas não é verdade, to trabalhando e muito há muito tempo desde que voltei daquelas férias maravilhosas...

Hoje deu vontade de escrever de novo, coisa que não acontecia desde o último post no fim de junho. Vontade de escrever o que é que eu não sei... De escrever simplesmente...

Meu pouco tempo livre tem se dividido entre MSN, ler meus livros e os livros da faculdade, estudar pras provas, e as poucas oportunidades que tenho de escrever estavam se restringindo ao outro Blog, o Contos Blogados com o Leo e o Willow.

Mas a vontade de hoje não foi de escrever conto fantástico, então vim pra cá, esse refúgio virtual onde eu posso me expressar tranquilo. Talvez eu acabe escrevendo um conto aqui um dia, mas vai ser um com início, meio e fim, sem torturar ninguém com uma história inacabada.

Hoje to meio saudosista. Culpa de uma amiga que resolveu conversar comigo sobre música. Menina de bom gosto...

E saudosismo me faz lembrar de histórias antigas, e normalmente engraçadas... Essa por um tempo assustou a gente, mas hoje damos boas risadas...

Quando jogávamos RPG (eu, Leo, Luciano, Pedro, Alexandre e Wilian), costumávamos jogar na casa da avó do Luciano e do Leo, pra não fazer barulho na casa deles, não atrapalhar ninguém. Era um refúgio, quase um daqueles clubinhos de criança, onde elas se imaginam matando monstros e lutando contra vilões... A diferença é que essas crianças tinham 15, 16 anos, e mesmo assim se imaginavam lutando contra sacerdotes de deuses malignos, orcs e dragões...

Várias vezes ficamos jogando RPG a tarde inteira, até tarde da noite, e pedíamos pizza. E numa dessas noites começamos a escutar gemidos. Gemidos de dor. "Aaaaaaahnnrrrggghhhh"... E seguidos de batidas no chão... "Tum, tum, tum"... E gemidos, e batidas, e gemidos, e batidas...

Por um momento passou pela cabeça de todos que monstros realmente existissem, e estivessem lá fora esperando para ser atacados. O problema é que no mundo do faz de conta éramos guerreiros, magos, ladrões... Aqui éramos estudantes do ensino médio e superior, fora de forma...

Nem tivemos coragem de ir olhar, ficamos rindo nervosos até passar...

No dia seguinte jogamos de novo e descobrimos: tinha um caseiro bem velhinho na casa da avó deles. Bem tortinho, andava usando uma bengala, e tinha artrite entre outros problemas de saúde. Mas a imaginação de 6 jogadores de RPG sempre vai a mil, e até hoje nos lembramos rindo do "monstro da casa da avó".

Ps: em tempo: o caseiro já se aposentou. A tia deles conseguiu aposentar o velhinho por tempo de serviço.

domingo, 22 de junho de 2008

Férias!

Agora é oficial! Terei férias em julho! Minha chefe é uma mãe! E, como agora eu to muito grandinho e não sei quanto tempo vão durar as próximas férias que terei, então quero aproveitar ao máximo essas agora!

Primeiro: vou ligar pra uma pousada em Petrópolis pra fazer uma trilha. Coisa pequena, acho que no máximo 4hs ida e volta. Só pra subir o Pico da Alcobaça, 1787 metros, no meio da Serra dos Órgãos! A vista deve ser maravilhosa! Quem quiser, está convidado! Custa pouco mais de 40 reais, mais a gasolina de Paty do Alferes até Petrópolis!

Segundo: um jogo do Mengão no Maraca! Quero o Flamengo e Vasco, mas está difícil... Vou ter q adequar a minha agenda de férias pra poder ver o clássico das multidões!

Terceiro: churrasco em casa, com a galera toda de Paty reunida! E quando digo a galera toda, são os mesmos de sempre, e os que quiserem se apresentar!

Quarto: além de churrasco(s), bar! Vamo simbora pra um bar, beber cair e levantar!

Vamo que vamo! Eu bem que mereço essas férias mesmo!

sábado, 14 de junho de 2008

Campeão também perde, e daí?

Um jogo desaconselhável pra cardíacos. Certeza que foi a melhor partida do Campeonato Brasileiro até agora. Lá e cá, o Flamengo perdendo gols incríveis, e o São Paulo fazendo seu papel como visitante, aproveitando todas as chances possíveis diante do futebol envolvente do Flamengo.

Um pecado dos deuses do futebol contra o Flamengo, mas foi um jogo bonito em que eu vi o Mengão jogando como há muito tempo não jogava. Se tivermos essa raça durante o resto do campeonato, que me desculpem os outros clubes, mas a taça do Brasileiro já tem um nome gravado.

Mengão Campeão! Além de rimar, tem 13 letras...